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sexta-feira, 21 de junho de 2013


O dono de um acampamento para cura de gays na África do Sul, Alex De Koker, 49, e seu empregado Michael Erasmus, 20, estão respondendo pela morte de três jovens e crime de tortura, abuso infantil e negligência. Eles coordenavam um centro de treinamento para jovens criado em 2006 com a promessa de transformar meninos em homens. Os jovens gays e afeminados eram obrigados a passar fome e comer as próprias fezes.
Após 10 meses no curso de treinamento no Echo Wild Game Rangers, instituição agora fechada e acusada de torturar jovens gays, Raymond Buys, 15 anos, (foto tirada em 2011), passou de um estado de saúde normal para a morte por desidratação e inanição. Seus pais pagaram cerca de R$5 mil, com a promessa que o jovem voltaria heterossexual para casa. Ao invés disso, além da magreza cadavérica, o jovem apresentava o braço quebrado em dois lugares,  e também machucados e queimaduras pelo corpo. Internado em uma unidade de tratamento intensivo, depois de um mês, ele não resistiu.
 
O acampamento não era uma unidade de tratamento de homossexuais propriamente dita, mas a propaganda de entregar filhos mais homens era levada a sério pelo “general” De Koker. Rapazes com traços de feminilidade ou que não completassem as tarefas de trabalho forçado apanhavam e eram castigados. Assim foram relatados os horrores cometidos no local por outros rapazes que passaram pelo acampamento.
 
Tortura com máquinas de choque, espacamento com canos, varas e barras de ferro, proibição de ir ao banheiro à noite, para evitar encontros furtivos, eram a rotina dos jovens com traços homossexuais no local, e eles serviam de exemplo para os demais.
 
Eric Calitz, 18, e Nicolaas Van Der Walt, 19, foram as outras vítimas do campo de concentração particular de De Koker entre 2007 e 2011. Todas as três vítimas eram meninos delicados e que se encaixavam fora do perfil masculino considerado ideal pelo “general”. Pagaram com a vida a homofobia de pais e do instrutor. Os dois acusados alegam serem inocentes das mortes. Van Der Walt foi sufocado por um cinto e Calitz teve sangramento cerebral, apontaram os exames post mortem, em ambos os casos o Echo Wild afirmou que eles morreram de ataque cardíaco.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Com todas as atenções voltadas para os protestos em várias cidades brasileiras, Comissão de Direitos Humanos aprova ‘cura gay’. Votação é vitória de Feliciano e da bancada evangélica, que tenta avançar com o projeto há dois anos

Comissão de Direitos Humanos da Câmara aprovou, nesta terça-feira (18), a proposta conhecida como “cura gay”. O projeto permite que psicólogos realizem “tratamento” com o objetivo de reverter à homossexualidade.
feliciano aprova cura gay
‘Cura gay’ é aprovada em Comissão presidida por Marco Feliciano
A proposta aprovada nesta terça-feira anula um artigo da resolução que determina que “os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica”.
Na justificativa do documento, o deputado João Campos (PSDB-GO), autor do projeto, afirma que o conselho “extrapolou seu poder regulamentar” ao “restringir o trabalho dos profissionais e o direito da pessoa de receber orientação profissional”.
A votação é uma vitória da bancada evangélica, que tenta avançar com o projeto há dois anos.
Antes de virar lei, o projeto ainda terá de ser analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família e de Constituição e Justiça até chegar ao plenário da Câmara. Se aprovada pelos deputados federais, a proposta também terá de ser submetida à análise do Senado. Somente então a matéria seguirá para sanção ou veto da Presidência da República.

Sessão

Em contraste com as primeiras sessões presididas por Marco Feliciano, marcadas por tumultos e protestos de dezenas de integrantes de movimentos LGBT e evangélicos, a sessão desta terça atraiu poucos manifestantes. No fundo do plenário, um rapaz e uma garota ergueram cartazes durante o encontro do colegiado protestando contra o projeto da cura gay.
Uma das cartolinas dizia “não há cura pra quem não está doente”. Já o outro manifesto ressaltava “o que precisa de cura é homofobia”