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domingo, 29 de setembro de 2013

On 10:55 by papa in , , ,    No comments
Todos os roteiros do seriado favorito dos nerds passam pelas mãos do físico David Saltzberg. Ele revisa e corrige os erros que podem aparecer nas falas dos personagens. Às vezes, é ele quem dá o toque científico às cenas. Nesta entrevista, Saltzberg fala sobre o trabalho como consultor científico da série.
Além de revisar o script, você pode sugerir assuntos científicos. Você é livre para falar sobre o que quiser?
Às vezes, os escritores só querem que eu complete com algo que tenha a ver com o episódio. Mas, quando posso escolher, prefiro colocar coisas sobre física elementar, coisas que você aprende no primeiro ano. Por exemplo, gosto quando Sheldon ensina física para a Penny, como quando eles estão puxando uma caixa para o andar de cima e falam sobre isso. Gosto porque assim a maior parte das pessoas pode entender. Mas também é divertido colocar algo bem específico, novo, porque depois eu recebo e-mail das pessoas dizendo ¿ei, eu vi isso no programa!¿.
Você conversa com os atores? Ou só com os escritores?
Eu falo mais com os escritores. É incrível como os atores fazem tudo certinho, mesmo sem falar muito comigo. Quer dizer, eu os vejo, falo com eles, mas geralmente não conversamos muito sobre ciência. E o incrível é que eles não só falam com a pronúncia correta, como também entendem o resumo das teorias. Eles também pesquisam, quando recebem o script, para saber do que se trata o assunto. Apenas uma vez o Sheldon pronunciou uma palavra errada, então precisei falar com ele. Mas dificilmente isso acontece.
Você é responsável pelas fórmulas escritas nas lousas da série. Qual é o seu critério?
É uma escolha pessoal. Às vezes as equações têm alguma relação com o assunto das discussões que os personagens fazem. Por exemplo, quando Howard estava para ir ao espaço, havia umas equações sobre sondas orbitais. Quando aparecem pedaços de ciência nos diálogos, eu coloco as equações sobre esse assunto. Mas, se não há nada, opto por coisas de física contemporânea ou estudos recentes. Ou coloco coisas que eu gosto mesmo.
Já deixou passar algum erro?
Algumas temporadas atrás, eles estavam perseguindo um grilo no apartamento, que cantava de um jeito específico. E o canto dos grilos varia de acordo com a temperatura. Então há uma equação feita para descobrir a temperatura por meio do canto dos grilos. Quem a formulou foi o cientista A. E. Dolbear. E no script o primeiro nome estava como Emile, e deixei passar, mesmo sabendo que o primeiro nome era Amos. E eu percebi o erro só depois do episódio ir ao ar, e me senti mal. O neto dele entrou em contato comigo para nos corrigir. Eu me desculpei e o convidei para assistir a uma gravação.
Você é o cientista mais próximo dos personagens, então pode ser uma espécie de inspiração para eles. Você já se viu em algum diálogo, em uma maneira de agir?
Acho que todos nós temos esses momentos quando Leonard ou Sheldon dizem alguma coisa, e você já disse exatamente a mesma coisa anos atrás. É esquisito. Mas não acho que eles estejam se baseando em mim. Qualquer cientista pode se ver na série.
Já sugeriu alguma piada?
No começo eu tentava sugerir, mas parei. Eles são muito mais engraçados do que eu.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

On 07:58 by papa in , ,    No comments
Eric Kaplan comemora a sétima temporada de um dos seriados mais populares da TV americana
Parece pouco provável que um sitcom se baseie nas vidas e amores de um grupo de cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia, o Caltech, mas “The Big Bang Theory”, que começa sua sétima temporada em 26 de setembro nos EUA pelo canal CBS, é uma dos seriados mais populares da TV. Parte de seu sucesso se deve ao fato de um dos produtores executivos e roteirista Eric Kaplan, 46, saber tudo sobre comédia e vida acadêmica: seu currículo inclui não só “Os Simpsons” e “The Late Show With David Letterman”, mas também Harvard e um curso de doutorado ? incompleto ? na Universidade da Califórnia, Berkeley.
P.: Você foi criado no Brooklyn, correto? 
R.: Cresci em Flatbush. Minha mãe era professora de Biologia no Erasmus Hall e meu pai, advogado. Entrei na Hunter High School quando tinha doze anos e comecei a pegar o metrô para Manhattan.
A escola foi o meu despertar. Tinha amigos da cidade toda. Na hora do intervalo, a gente ia espiar as armas e coleção de armaduras do Museu Metropolitano de Arte. Como os personagens de “The Big Bang Theory”, jogava muito Dungeons & Dragons, ia a convenções de HQ. Comecei a ler livros de Filosofia muito cedo.
Aí, fui para Harvard. Meu tio dizia: “Você deve ir para Harvard porque eles são mais tolerantes a esquisitões que as outras universidades”; aí, eu disse: “Não sabia que era esquisito”. Ele só soltou: “Então tá.”
P.: Harvard era parecida com a sua versão do Caltech em “The Big Bang Theory”? 
R: Era, principalmente porque ali havia um pessoal interessado e apaixonado de verdade pelo que fazia. Era um mundo em que se mergulhava tão fundo nos estudos que o sujeito se esquecia de pôr a calça. Bom, eu nunca fiz isso, mas conheci muita gente que fez.
A ideia de que alguém se interesse mais pelos problemas incríveis que a vida oferece do que por um joguinho de status era genuína ali e é o que eu tento passar através dos personagens da série.
P.: O físico ganhador do Prêmio Nobel Leon Lederman passou anos tentando interessar Hollywood em uma série de TV que mostrasse cientistas, mas nunca conseguiu nada. Como Chuck Lorre, que foi quem desenvolveu seu seriado, conseguiu essa façanha? 
R.: Bom, Chuck Lorre é um produtor incrivelmente talentoso e bem-sucedido. Leon Lederman não deveria se sentir mal. Aposto que se Chuck Lorre quisesse fazer um experimento em um acelerador de partículas, também não iam permitir.
P.: Disseram a Lederman que ninguém ia querer assistir a um seriado sobre um grupo de nerds. Por que essa justificativa se mostrou errada? 
R.: Acho que Chuck e Bill Prady, os criadores da série, provaram que a experiência de ser “de fora” tinha um apelo universal. A grande questão emocional em torno da qual gira “The Big Bang Theory” é essa sensação de ser um peixe fora d’água ? e não tem nada a ver com o fato de os personagens serem cientistas; qualquer um pode se sentir assim.
P.: Você não está estereotipando os cientistas ao rotulá-los de desajustados? 
R.: Olha só, é uma história e não uma tese sobre como são as pessoas. É um grupo de personagens específicos. Nem todos os cientistas são Sheldon Cooper, que acha difícil abraçar alguém ou sair para almoçar e rachar a conta, mas muita gente cuja capacidade cognitiva supera seu senso emocional vai revelar algum traço do Sheldon.
P.: Como você pesquisa o conteúdo científico de suas histórias? 
R.: Bom, digamos que a gente decida que Amy e Sheldon devem ter uma discussão. Como são cientistas, a briga vai ser por causa da ciência, claro, sobre as prioridades relativas da Neurociência e da Física. O que acontece emocionalmente é que estão discutindo os termos de seu relacionamento, mas mascaram o fato brigando sobre fatos científicos. Nesse caso, eu escrevi a cena porque tenho minhas próprias teorias a respeito.
Entretanto, em outras situações, às vezes queremos o Sheldon muito bravo com um ramo da ciência que considere importante e acha que os outros não compreendem; aí é caso de procurar os consultores.
P.: Você lê as publicações profissionais? 
R.: Não, a equipe lê Science Times para ver os temas que valem a pena usar. O tal do acelerador de partículas na Suíça , por exemplo, teve gente preocupada achando que ele poderia destruir o universo. É bem provável que tenha feito piada sobre o fato ou até usado como tema.
P.: Como você entrou para o seriado? 
R: Me candidatei à vaga.
P.: E…?
R.: Eu já trabalhava na TV há vários anos. Escrevi um roteiro para tentar uma vaga em “Malcolm in the Middle”, que mandei para o Chuck e o Bill, mas só como amostra. Aí, eles me entrevistaram. Tinha duas histórias: uma sobre masturbação e outra sobre a teoria do jogo. O Chuck disse: “Masturbação e teoria do jogo se encaixam direitinho em ‘The Big Bang Theory.’”
P.: Você recebe cartas de fãs cientistas? 
R.: Não recebemos correspondência. Os cientistas vão assistir ao episódio na plateia. Geralmente acabam sendo usados como extras nas cenas no refeitório.
O Stephen Hawking participou uma vez. Ele adorou encarnar uma versão de si mesmo, mesquinha e infantil, que adorava humilhar o Sheldon em um jogo de Scrabble on-line. Ele interpretou a si mesmo, só que como um bebezão. Nem pensou em querer ser “um herói da ciência”. Isso me fez respeitá-lo ainda mais porque mostrou que não tem que provar nada a ninguém.
P.: Suas histórias têm muitas piadas internas ? como aquele episódio hilário que incluiu referências ao gato de Schrödinger. Como é que a sua equipe sabe o que é engraçado na ciência? 
R.: Fiz faculdade de Filosofia Analítica o que, em termos culturais, é bem parecido com Ciências. Além disso, falamos com o nosso consultor, David Saltzberg, professor de Física da UCLA e visitamos várias escolas e laboratórios.
Uma vez fomos à estação de controle da sonda Mars, que acabou sendo fonte de várias histórias.
Conversamos com um astronauta da NASA, Mike Massimino. Ele contou que os parentes italianos não estavam nem aí que ele ia para o espaço. Um deles até disse: “Geralmente fazemos o novato limpar o caminhão de lixo. Você não ia ter que ir para o espaço se fosse o líder da turma.” Foi daí que tiramos a história para o Howard, tipo, o cara vai para o espaço, mas para os amigos e parentes isso não significa nada.
P.: Algum cientista já chegou a agradecer por vocês mostrarem um pouco como é a vida deles? 
R.: Ah, sim. Alguns dizem até que, daqui a dez anos, a nova geração vai se formar em Ciências porque assistiu ao seriado e curtiu os personagens. Não seria demais? Para mim, deveria haver mais cientistas e menos advogados. É melhor inventar um avião de plástico do que processar alguém.