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sábado, 5 de outubro de 2013
Se você não vive em um casulo e tem acesso a qualquer veículo de informação, sabe que algo muito sério está acontecendo na Síria, uma verdadeira Guerra Civil para ser mais exato.
Os confrontos que começaram em março de 2011 só tomaram proporções maiores conforme o tempo passou, e até hoje segundo a BBC, mais de 100 mil pessoas morreram em razão do conflito entre forças do governo de Bashar Al-Assad e os rebeldes. Diversos países já estão se preparando para intervir no país, liderados pelos EUA.
Mas afinal, o que está acontecendo na Síria? Por se tratar de um país do Oriente Médio, a primeira coisa que vem à cabeça de qualquer um é que seja um conflito por razões religiosas. Não deixa de ser um pouco de verdade, mas a história é bem mais complicada do que isso.
Então o site Sedentário & Hiperativo trouxe pra gente o que ainda você pode não ter ouvido ou lido sobre a questão:
terça-feira, 24 de setembro de 2013
O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, fez um apelo nesta terça-feira para que um acordo político ponha fim ao confronto na Síria, em vez de uma ação militar internacional.
Diante da 68a Assembleia Geral da ONU, Ban pediu que as partes voltem à mesa de negociações. "A vitória militar é uma ilusão. A única resposta é um acordo político."
O comandante da organização pediu ainda que seja realizada o quanto antes a segunda rodada de um diálogo de paz, chamada Genebra 2.
Ele pediu a todos os países do mundo que colaborem para interromper o fluxo de armas convencionais à Síria. Ele observou que foram essas armas que provocaram a maioria das estimadas 120 mil mortes ocorridas em mais de dois anos de confronto.
O regime sírio conta com aliados como o Líbano e o Irã para obter armas, enquanto os EUA e seus aliados as têm provido aos rebeldes.
Ban também falou do ataque químico ocorrido em 21 de agosto passado nos arredores de Damasco, conforme atestado por inspetores da ONU, e pediu que os responsáveis sejam levados à Justiça.
Para ele, é urgente que o Conselho de Segurança da ONU aprove uma resolução sobre o assunto, "seguida de ação humanitária".
Dos membros permanentes do Conselho de Segurança, EUA, França e Reino Unido já se disseram favoráveis a uma ação militar na Síria, caso o país não cumpra com o acordo para entrega de seu arsenal químico que está sendo costurado por outro membro permanente do órgão, a Rússia.
sábado, 14 de setembro de 2013
O ataque dos EUA à Síria já começou e já acabou, segundo fonte diplomática ouvida por jornalistas em Beirute e Jerusalém. O diário israelense Haaretz, adiantou: “Tudo aconteceu no instante em que foram disparados aqueles dois mísseis balísticos, que ninguém sabia o que eram, porque Israel negava e a Rússia confirmava. A Rússia neutralizou os dois mísseis: um foi destruído em voo e o segundo foi desviado para o mar”.
Fonte diplomática bem informada decifrou a notícia ao afirmar ao diário de Beirute As-Safir, nesta sexta-feira, que “a guerra dos EUA contra a Síria começou e acabou no instante em que foram disparados aqueles dois mísseis balísticos, que ninguém sabia o que eram, porque Israel negava e a Rússia confirmava, até que surgiu uma declaração oficial dos israelenses, que dizia que teriam sido disparados no contexto de um exercício militar conjunto EUA-Israel, e que os mísseis caíram no mar e que nada tinham a ver com a crise síria.”
A fonte também informou ao diário libanês que “os EUA dispararam os dois mísseis de uma base da OTAN na Espanha. Os mísseis foram instantaneamente detectados pelos radares russos e foram repelidos pelos sistemas russos de defesa: um deles foi destruído em voo e o outro foi desviado em direção ao mar”. Nesse contexto, disse a fonte, “é que surgiu a declaração distribuída pelo Ministério de Defesa russo. A declaração falava sobre a detecção de dois mísseis balísticos disparados na direção do Oriente Médio, mas nada dizia nem sobre de onde os mísseis foram disparados os mísseis, nem que haviam sido abatidos. Por quê?”, pergunta a fonte, e ela mesmo responde:
– Porque no momento em que a operação militar estava sendo lançada, o chefe do Serviço de Inteligência da Rússia telefonou à inteligência dos EUA e disse que “atacar Damasco significa atacar Moscou. Nós omitimos na nossa declaração oficial a expressão “os dois mísseis foram derrubados”, para preservar as relações bilaterais e para impedir qualquer tipo de escalada. Assim sendo, é imperioso que os EUA reconsiderem suas políticas, abordagens, movimentos e intenções sobre a crise síria, porque os EUA já podem ter certeza de que não conseguirão eliminar nossa (dos russos) presença no Mediterrâneo.”
A mesma fonte continuou:
“Essa confrontação direta entre Moscou e Washington, que não foi divulgada, aumentou ainda mais a confusão reinante no governo Obama e a certeza de que o lado russo insistirá no alinhamento ao lado dos sírios. E, também, a evidência de que os EUA já não tinham outra saída, se não pela iniciativa dos russos, que ‘salvaria’ a imagem dos EUA.”
Desse ponto de vista, a mesma fonte diplomática explicou que “para evitar confusão ainda maior nos EUA, e depois que Israel negara saber do disparo dos dois mísseis (o que é verdade), Washington pediu que Telavive assumisse que teria disparado os mísseis, para não ferir a imagem dos EUA ante a comunidade internacional, sobretudo porque aqueles dois mísseis eram o primeiro movimento do ataque dos EUA à Síria e o anúncio do início das operações militares. O plano original previa que, depois do ataque, o presidente Obama viajaria para o encontro do G-20 na Rússia, para negociar o destino do presidente sírio Bashr Al-Assad. De fato, como depois se verificou, Obama teve de ir à Rússia para negociar o fim do impasse em que se viu preso.”
A fonte acrescentou também que “depois desse confronto EUA-Rússia, Moscou já trabalha para aumentar o número de especialistas militares, e já ampliou a presença se unidades de guerra e destróieres no Mediterrâneo. Os russos também decidiram marcar para depois do G-20 o anúncio de sua iniciativa para conter a agressão à Síria, depois de se criar um contexto de contatos às margens daquela reunião, e depois de duas visitas sucessivas dos ministros de Relações Exteriores do Irã e da Síria, nos quais se acertaram detalhes de um acordo com os russos, que incluía o anúncio, pela Síria, de que aceitava pôr suas armas químicas sob supervisão internacional e preparar a Síria para assinar o tratado de não proliferação de armas químicas.”
Aquela fonte diplomática acrescentou que “um dos primeiros resultados do confronto militar EUA-Rússia foi a rejeição, na Câmara dos Comuns britânica, de qualquer envolvimento na guerra contra a Síria. Em seguida vieram as posições europeias, todas na mesma direção, a mais significativa das quais foi a da chanceler alemã Angela Merkel”.
Caminho da paz
Frustrada a opção militar, a Rússia e os EUA concordaram nesta sexta-feira em retomar os esforços pela realização de uma conferência de paz sobre a Síria, ampliando o escopo da atual discussão voltada para a eliminação das armas químicas no país do Oriente Médio. Após uma nova reunião em Genebra para discutir o plano russo de desarmamento, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o chanceler russo, Sergei Lavrov, prometeram atuar conjuntamente para tentar acabar com um conflito que já dura dois anos e meio e causou mais de 100 mil mortes, além de provocar profundas divisões no Oriente Médio e entre as principais potências globais.
Uma nova reunião foi marcada para daqui a duas semanas, durante a sessão anual da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. Eles esperam obter avanços em Genebra na questão do desarmamento químico, para então marcar a data para uma conferência de paz.
– Estamos comprometidos em tentar trabalhar juntos, começando com esta iniciativa sobre as armas químicas, na esperança de que esses esforços possam ser recompensados e trazer a paz e a estabilidade para uma parte do mundo dilacerada pela guerra – disse Kerry numa entrevista coletiva conjunta.
O futuro dessa colaboração, acrescentou ele, “dependerá da capacidade de termos sucesso aqui nas próximas horas e dias a respeito do assunto das armas químicas”. Já Lavrov disse que a discussão sobre as armas químicas ocorrerá paralelamente ao trabalho preparatório para a conferência de paz de Genebra. A Síria aceitou nesta semana a proposta russa que coloca seu arsenal químico sob controle internacional. Em troca, o governo de Bashar al-Assad espera ser poupado de um ataque dos EUA, que desejam puni-lo pelo suposto uso de gás sarin contra civis em 21 de agosto. Assad nega ter cometido esse ataque, que matou cerca de 1.400 pessoas.
Depois de receberem a proposta russa, os EUA suspenderam os preparativos para uma ação militar, mas não dizem que essa hipótese não está afastada definitivamente.
Rússia e EUA já concordaram, meses atrás, em promover uma conferência de paz para a Síria, mas as duas potências divergem sobre quem deverá participar do evento. Moscou resiste aos apelos dos rebeldes sírios e de líderes ocidentais para que Assad dê lugar a um governo transitório.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Londres dispõe de novas provas do uso de armas químicas em 21 de agosto nos subúrbios de Damasco, informou o primeiro-ministro David Cameron. "Examinamos amostras recolhidas em Damasco nos laboratórios de Porton Down, que mostram de novo o uso de armas químicas nos subúrbios de Damasco", afirmou David Cameron à BBC. Cameron fez estas declarações em São Petersbugo (Rússia), onde participa na reunião do G20. Uma fonte britânica que não quis ser identificada afirmou à AFP que os exames acusaram o uso de gás sarin. Estas seriam amostras diferentes das que levaram os Estados Unidos a afirmar que o ataque foi realizado com sarin. O sarin é um poderoso gás neurotóxico mortal, inodoro e invisível descoberto na Alemanha em 1938.Além disso, nesta quinta-feira o ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague, comprometeu-se a seguir oferecendo apoio "não letal" para a oposição síria após o Parlamento britânico ter descartado uma intervenção militar no país árabe.
O chefe da diplomacia do Reino Unido se reuniu em Londres com o presidente da Coalizão Nacional das Forças da Revolução e da Oposição Síria (CNFROS), Ahmad Yarba, e expressou seu apoio ao grupo, que considerou os "únicos representantes legítimos do povo sírio". O encontro, que Hague qualificou de "positivo", teve como foco ajudar a "salvar vidas" e "promover o processo político de Genebra", segundo explicou o chanceler pelo Twitter.Apesar do seu compromisso com a via diplomática, Hague pareceu duvidar da viabilidade de um processo político no contexto atual. "Não pode existir solução política na Síria se for permitido que o regime de Assad (presidente sírio, Bashar al-Assad) esmague a oposição moderada", disse o chefe do Foreign Office.Por uma pequena diferença (285 contra 272), a câmara dos Comuns rejeitou em 29 de agosto uma intervenção na Síria. Ao se descartar a via militar, para decepção do governo de David Cameron, a reunião de hoje com Yarba teve como objetivo concretizar outro tipo de apoio.Segundo o comunicado oficial emitido pelo Ministério das Relações Exteriores, o Reino Unido "continuará liderando esforços internacionais para proporcionar ajuda humanitária aos dois milhões de refugiados que abandonaram Síria e os quatro milhões que foram obrigados a deixar seus lares". "Estamos trabalhando estreitamente com a oposição moderada para aliviar este terrível sofrimento e facilitar apoio prático e político", declarou William Hague na nota.Durante a reunião de hoje, o ministro reiterou sua condenação ao suposto ataque perpetrado em 21 de agosto com armas químicas pelas forças de Assad e confirmou que entregou às milícias rebeldes 5 mil máscaras protetoras, entre outros equipamentos. "A prioridade do governo do Reino Unido continua sendo encontrar uma solução política à crise na Síria", garantiu o ministro.
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